terça-feira, 10 de agosto de 2010

Nistagmo

Glóbulos que fantasiam o mundo em movimento, movimentos. Algum vestibular onde ninguém sano gostaria de atravessar: vestíbulo donde os chapéus não param quietos, os chapéus da paz. Nistagmo! O medo que as coisas parem, e alguém note sua existência perigosamente esquecida no chacoalho. Agora que sei da existência da patologia, sinto o medo de estar movimentando meu corpo e o entorno, ao invés de apenas os glóbulos insanos. Quero fazer como os demais, ...mas como vejo. E como fazê-lo se trepido e balanço ante a vida. Quero o concreto daqueles, não acredito no que vejo... Agora sei impor meus métodos porque meus olhos me mostram como é ver sozinho. Nada visto é conveniente: esporadicamente globalizo o que os olhos absorvem. Métodos frágeis revelam que sou inquieto diante das coisas, os fractais revelam que absorvo apenas uma entre várias fotografias no cinema. Incorro em crer naquilo que vi, e como não vi, assumo por preferir a nostalgia da imaginação a tentar somar as imagens de todos para meu cerebelo..., aí então certamente seria, nistagmo: perceptível apenas a distorção, o que se quer perceber não se percebe. Ainda veloz, o caminho é o qual você puder seguir. Se tal intento lhe ocorrer mesmo incapaz, sem cura, a chegada será o intento como o dos demais: nunca alcançável. Agora que pude ver pelo nistagmo o mar tal grande que é, agora sim quero passar desse mar para provar o perfume daquelas estrelas que surgem do escurecer e muito ao longe. E, neste caminho terrestre ao estelar vou mirando o que me permitir o defeito genético. Alabama.

Um comentário:

MSTEPON disse...

Este foi um dos textos que mais gostei entre todos ; lembrou Clarice Lispector sim , tem estilo , flui , é original a meu ver. Momento de inspiração sugerindo reflexão. PARABÉNS !
DO AMIGO

MSTEPON